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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Corpo Nu

Gosto das formas; das curvas lineares
Da cor da derme; da pele e do desejo momentâneo de ter
Dos prazeres dela – da carne: que me eleva aos ares
Das emoções paralelas ao gozo, precedente o mexer

Adoro teu corpo e tudo o mais nele
Do sabor adocicado, dos limites inexplorados
De cada canto; cada entranha...Extremo êxtase

De me perder na silhueta: em seus estados arrepiados
Ah! Como gosto do seu corpo – do que ele faz
Do que me traz...Sobre mim, estirado se desfaz
Beijado, tocado...Essencialmente desenhado

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Rosa de Vênus

Rosada como a rosa.
Uma rosa que desabrocha.
Desabrochada rosa avermelhada.
Avermelhada bochecha corada.
Corada tez cheirosa.
Cheirosa pétala assanhada.
Assanhada, fofa e molhada.
Molhada, ardilosa e malhada.
Malhada, encantada e suada.
Eis, ela...Bela, viciosa beleza convexa.
Concavidade ondular a espera.
De um médio...Um anular.
Flexível anel...Sempre
Aguardando o mel
O membro...A glande.
Uma estocada vetorial!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fêmea

Mais bela és quando lânguida
Que seja em meu cais vencida assim...
Dar-me o amor que dantes eu não tinha
E dar-te-ei torrentes afagos

Na tua ausência visual – brandos olhos desmaiados
Galgar-me-ei nas raízes do teu sexo casto
Até fazer-te fêmea em mim

Conspícuo gosmar acre na boca, sinto
Quando tu plena, transpira desejo meio amargo
No tépido sabor da língua minha
Que faze o ácido gosto teu, doce

Face ainda ao prepúcio himenal
Vestir-te-ei toda dum véu de saliva – por dentro
Impondo-te um júbilo perenal

sábado, 16 de maio de 2009

Erótica Divina

Numa tarde morna de ventos suaves e bem vagarosos. O céu de extenso azul coral – quase límpido, denunciava tamanha beleza aos olhares. Apollo ainda dava o ar da graça, externando seus últimos suspiros de luzes ao se pôr – ele divinamente matizava com raios de carmim alguns pontos cardeais. Tuas mechas laranjas, ora meio avermelhadas, não estavam sós...Havia pequenos cirros solitários que o vento mui zeloso afinava, os deixando feito esboço facial de um Deus; por vezes parecendo Eros, outras...Zeus. Almas essenciais eram dotadas de uma ótica pura, que ao brincarem de descobrir desenhos em nuvens, acabavam por incitar certas saudades, que elas – lindas brancas e suspensas, pareciam mais algodões em cachos – remetiam a lembranças passadas, amores, quiçá. No azul celestial não moravam nimbos, estratos, tampouco cúmulos. Só existiam riscos finos, que ficavam suspensos e dispersos no aberto horizonte “zeusístico”. Sutilmente eram espalhados pelo ar divinal que aflorava em Vênus – ela assoprava sedutoramente...Até formar ventos Zéfiros. O clima tinha um tom especial; belo arpejo – cântico sensual...Canção bela, animalesca, aveludada e infinitamente perfumada – Olor de rosas brancas dos campos primaverais, tinha. Cupido encantava... Oh!Eros que emana o ardente desejo assimilado.Tal é a erótica corporal, a vontade de tocar a derme no ventre do amor e no almejo passional de possuir além corpo. E nos extremos caminhos de Afrodite, ir do sul ao norte, até umectar os lábios do mundo. O amor entre Eros e Psique desperta calor, langor no deleite que fascina e faz render-se a volúpia do prazer erotizado: vede e senti, vir à vida em parto normal sua cria Voluptas. A personificação grega do amor eleva aos ares, no escopo da alma – a energia que anima a carne tão magnânima e magistral. Cai a noite de Agni, sobre os mares de Poseidon e, é feito cama sob o luar de Ártemis, de modo a iluminar o amor entre os pólos oceânicos...

Foi um sonho de Morfheus que terminou em volúpia suprema, assim revelou-se a unidade que havia.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Frenesi

Ela sentia adentro uma roliça penetração pulsante – pela metade. Do alto vermelho globular, iniciava sua descida fumegante até a raiz do meu sexo e lentamente ascendia de tal maneira apertada. Os grupos gestuais que ela mostrava sincronicamente sobre mim, agregavam uma poética corporal tão sublime e ao mesmo tempo sensual em cada movimento conjunto.
Debaixo da ginga disciplinada que havia, eu ficava na horizontal, afixado no meio daquelas pernas em bifurcação. No sincronismo continuo daquele rebolar, eu provei de uma sensação que me fez ter a certeza íntima que ela estava pronta para aceitar as condições daquela noite. Ela acolheu e agasalhou o que a mantinha extremamente excitada... Ele não sentia frio, mas sim uma leve quentura que vasodilatava e o envolvia todo – era fruto da fricção melada; tanta pressão tinha nos lábios, que minava uma mágica quantidade de sumo.
Era a mulher mais linda e serena que já tocara...Literalmente desnuda e sentada em mim, ainda tinha o prazer ereto no interior. Seus poros não exalavam suor, era só desejo...Eu me arrepiei completamente ao notar que sua cabeça se inclinava para trás numa lenta queda, no compasso que ia – também – acariciando os seios: pareciam dois pêssegos rosáceos – lindos! Minhas mãos se mantinham fiéis naquelas coxas, ao passo que ela fazia o trabalho de libertação.
Eu tive a certeza que o paraíso era mais adiante; e de fato era...Eis o meu viril grito de liberdade!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Até a eternidade

“Há tempos não pertenço a esta existência – saí à francesa: um finado prematuro – sou”.

Três mil metros de altura: um penhasco...
É o que separa um corpo da eternidade presente aos olhos.
De braços abertos num olhar úmido – pensamentos soltos; dispersos...
E um coração cansado de sofrer na escuridão de um peito amargo.
Lentamente fecham-se as janelas d’alma, ao passo da queda...
Externando uma lágrima – perdida ela fica – no vazio do espaço.
Antemão desfalecido o corpo, ele cai...
E a descida se torna longa e carregada de pensamentos que viajarão existências.
Uma saudade do que parecia ser amor, mas que não foi...
Dentro de tudo que houve; do que não foi nada...
Além dos nadas que não havia.
Nada, de fato houve: fora apenas uma reles história conotativa...
Da ilusão sensorial imitando a vida.
Eis abortado ao chão...
E até lá...